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19 de junio de 2018

Oração a Nossa Senhora de Fátima - Plinio Côrrea de Oliveira*


Oração a Nossa Senhora de Fátima

Plinio Côrrea de Oliveira*

 

13 de Maio de 2018

Ó Rainha de Fátima, nesta hora de tantos perigos para as nações cristãs, afastai delas o flagelo do comunismo ateu.
Não permitais que consiga instaurar-se, em tantos países nascidos e formados sob o influxo sagrado da Civilização Cristã, o regime comunista, que nega todos os Mandamentos da Lei de Deus.
Para isto, ó Senhora, conservai vivo e aumentai o repúdio que o comunismo encontrou em todas as camadas sociais dos povos do Ocidente cristão. Ajudai-nos a ter sempre presente que:
1°) O Decálogo nos manda “amar a Deus sobre todas as coisas”, “não tomar seu Santo Nome em vão” e “guardar os domingos e festas de preceito”. Mas o comunismo ateu tudo faz para extinguir a Fé, levar os homens à blasfêmia e criar obstáculos à normal e pacífica celebração do culto.
2°) O Decálogo manda “honrar pai e mãe”, “não pecar contra a castidade” e “não desejar a mulher do próximo”. Mas o comunismo deseja romper os vínculos entre pais e filhos; quer entregar ao Estado a educação dos filhos; nega o valor da castidade; e ensina que o casamento pode ser dissolvido por qualquer motivo, pela mera vontade de um dos cônjuges.
3°) O Decálogo manda “não furtar” e “não cobiçar as coisas alheias”. Mas o comunismo nega a propriedade privada e a sua importante função social.
4°) O Decálogo manda “não matar”. Mas o comunismo emprega a guerra de conquista como meio de expansão ideológica, promove revoluções e crimes em todo o mundo.
5°) O Decálogo manda “não levantar falso testemunho”. Mas o comunismo usa sistematicamente a mentira como arma de propaganda.
Fazei que, tolhendo resolutamente os passos à infiltração comunista, todos os povos do Ocidente cristão possam contribuir para que se aproxime o dia da gloriosa vitória que predissestes em Fátima, com estas palavras tão cheias de esperança e doçura: “Por fim, o meu imaculado coração triunfará”.

·        NOTA DEL BLOG: EL DR. PLINIO CÔRREA DE OLIVEIRA, no sólo fue autor de las obras publicadas con su nombre, sino también de bastantes escritos que, por diversas y varias razones, no fueron publicados con su nombre. Creemos que por el fondo de esta oración —que demuestra una devoción enorme a la Virgen de Fátima, — sino también por la forma, en un estilo propio del Dr. Plinio, se la podemos atribuir a él. Así lo creemos salvo mejor juicio.


15 de mayo de 2016

FATIMA: APARIÇÕES DO ANJO DE PORTUGAL

Agência Boa Imprensa – ABIM

APARIÇÕES DO ANJO DE PORTUGAL

Revista Catolicismo, Nº 785, maio/2016
Conjunto escultural representando a aparição do Anjo de Portugal aos três pastorinhos de Fátima, na Loca do Cabeço, perto de Aljustrel
Conjunto escultural representando a aparição do Anjo de Portugal aos três pastorinhos de Fátima, na Loca do Cabeço, perto de Aljustrel

Há exatos 100 anos,

Aparições do Anjo de Portugal

Antes das aparições de Nossa Senhora, Lúcia, Francisco e Jacinta — Lúcia de Jesus dos Santos, e seus primos Francisco e Jacinta Marto [foto abaixo], todos residentes na aldeia de Aljustrel, freguesia de Fátima — tiveram três visões do Anjo de Portugal, ou da Paz.

Primeira aparição do Anjo

3PastorinhosBBA primeira aparição do Anjo deu-se na primavera ou no verão de 1916, numa loca (ou gruta) do outeiro do Cabeço, perto de Aljustrel, e desenrolou-se da seguinte maneira, conforme narra a Irmã Lúcia:
“Alguns momentos havia que jogávamos, e eis que um vento forte sacode as árvores e faz-nos levantar a vista para ver o que se passava, pois o dia estava sereno. Então começamos a ver, a alguma distância, sobre as árvores que se estendiam em direção ao nascente, uma luz mais branca que a neve, com a forma de um jovem transparente, mais brilhante que um cristal atravessado pelos raios do sol.
À medida que se aproximava, íamos-lhe distinguindo as feições: um jovem dos seus 14 a 15 anos, de uma grande beleza. Estávamos surpreendidos e meio absortos. Não dizíamos palavra.
Ao chegar junto de nós, disse:
— “Não temais. Sou o Anjo da Paz. Orai comigo”.
E ajoelhando em terra, curvou a fronte até o chão. Levados por um movimento sobrenatural, imitamo-lo e repetimos as palavras que lhe ouvimos pronunciar:
— “Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e Vos não amam”.
Depois de repetir isto três vezes, ergueu-se e disse:
— “Orai assim. Os Corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas”.
E desapareceu.
A atmosfera do sobrenatural, que nos envolveu, era tão intensa, que quase não nos dávamos conta da própria existência, por um grande espaço de tempo, permanecendo na posição em que nos tinha deixado, repetindo sempre a mesmo oração. A presença de Deus sentia-se tão intensa e íntima, que nem mesmo entre nós nos atrevíamos a falar. No dia seguinte, sentíamos o espírito ainda envolvido por essa atmosfera, que só muito lentamente foi desaparecendo.
Nesta aparição, nenhum pensou em falar, nem em recomendar o segredo. Ela de si o impôs. Era tão íntima, que não era fácil pronunciar sobre ela a menor palavra. Fez-nos talvez também maior impressão, por ser a primeira assim manifesta”.
(Cfr. II Memória, pp. 114, 116; IV Memória, pp. 318, 320; De Marchi, pp. 51-52; Walsh, pp. 39-40; Ayres da Fonseca, p. 121; Galamba de Oliveira, pp. 52-57).

Segunda aparição do Anjo

Irmã Lúcia, visitando o local da aparição.
Irmã Lúcia, visitando o local da aparição.
A segunda aparição deu-se no verão de 1916, sobre o poço da casa dos pais de Lúcia, junto ao qual as crianças brincavam. Assim narra a Irmã Lúcia o que o Anjo lhes disse — a ela e aos primos — então:
— “Que fazeis? Orai! Orai muito! Os Corações Santíssimos de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios”.
— “Como nos havemos de sacrificar?” — perguntei.
— “De tudo que puderdes, oferecei a Deus um sacrifício em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores. Atraí assim sobre a vossa pátria a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo aceitai e suportai com submissão o sofrimento que o Senhor vos enviar”.
E desapareceu.
Estas palavras do Anjo gravaram-se em nosso espírito, como uma luz que nos fazia compreender quem era Deus; como nos amava e queria ser amado; o valor do sacrifício, e como ele Lhe era agradável; como, por atenção a ele, convertia os pecadores”.
(Cfr. II Memória, p. 116; IV Memória, pp. 320, 322; De Marchi, p. 53; Walsh, p. 42; Ayres da Fonseca, pp. 121-122; Galamba de Oliveira, pp. 57-58).

Terceira aparição do Anjo

Irmã Lúcia, visitando o local da aparição.A terceira aparição ocorreu no fim do verão ou princípio do outono de 1916, novamente na Loca do Cabeço, e decorreu da seguinte forma, sempre de acordo com a descrição da Irmã Lúcia:
“Logo que aí chegamos, de joelhos, com os rostos em terra, começamos a repetir a oração do Anjo: “Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-Vos, etc.” Não sei quantas vezes tínhamos repetido esta oração, quando vemos que sobre nós brilha uma luz desconhecida. Erguemo-nos para ver o que se passava, e vemos o Anjo trazendo na mão esquerda um cálice e suspensa sobre ele uma Hóstia, da qual caíam dentro do cálice algumas gotas de Sangue. Deixando o cálice e a Hóstia suspensos no ar, prostrou-se em terra junto de nós e repetiu três vezes a oração:
— “Santíssima Trindade, Padre, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o Preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelo méritos infinitos do seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores”.
Depois, levantando-se, tomou de novo na mão o cálice e a Hóstia, e deu-me a Hóstia a mim e o que continha o cálice deu-o a beber à Jacinta e ao Francisco, dizendo ao mesmo tempo:
— “Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus”.
De novo se prostrou em terra e repetiu conosco mais três vezes a mesmo oração: “Santíssima Trindade… etc.” e desapareceu.
Irmã Lúcia, visitando o local da aparição.Levados pela força do sobrenatural, que nos envolvia, imitávamos o Anjo em tudo, isto é, prostrando-nos como ele e repetindo as orações que ele dizia. A força da presença de Deus era tão intensa, que nos absorvia e aniquilava quase por completo. Parecia privar-nos até do uso dos sentidos corporais por um grande espaço de tempo. Nesses dias fazíamos as ações materiais como que levados por esse mesmo ser sobrenatural que a isso nos impelia. A paz e a felicidade que sentíamos era grande, mas só íntima, completamente concentrada a alma em Deus. O abatimento físico que nos prostrava também era grande.
Não sei porque, as aparições de Nossa Senhora produziam em nós efeitos bem diferentes. A mesma alegria íntima, a mesma paz e felicidade. Mas, em vez desse abatimento físico, uma certa agilidade expansiva; em vez desse aniquilamento na Divina Presença, um exultar de alegria; em vez dessa dificuldade no falar, um certo entusiasmo comunicativo. Mas, apesar destes sentimentos, sentia a inspiração para calar, sobretudo algumas coisas. Nos interrogatórios, sentia a inspiração íntima que me indicava as respostas que, sem faltar à verdade, não descobrissem o que devia por então ocultar”.
(Cfr. II Memória, p. 118; IV Memória, pp. 322-326; De Marchi, pp. 54-55; Walsh pp. 43-44; Ayres da Fonseca, pp. 122-123; Galamba de Oliveira, pp 58-59).
Irmã Lúcia, visitando o local da aparição.
As aparições do Anjo, em 1916, foram precedidas por três outras visões, de abril a outubro de 1915, nas quais Lúcia e outras três pastorinhas, Maria Rosa Matias, Teresa Matias e Maria Justino, viram, também no outeiro do Cabeço, suspensa no ar sobre o arvoredo do vale, “uma como que nuvem mais branca que a neve, algo transparente, com forma humana”. Era “uma figura como se fosse uma estátua de neve, que os raios do sol tornavam algo transparente”. A descrição é da própria Irmã Lúcia (cfr. II Memória, p. 110; IV Memória, pp. 316 e 318; De Marchi, pp. 50-51; Walsh, pp. 27-28; Ayres da Fonseca, p. 119; Galamba de Oliveira, p. 51).

8 de mayo de 2016

Plinio Corrêa de Oliveira A 3ª Aparição de Nossa Senhora de Fátima: visão do Inferno

Plinio Corrêa de Oliveira

A 3ª Aparição de Nossa Senhora de
Fátima: visão do Inferno

"Santo do Dia", 15 de julho de 1967

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A D V E R T Ê N C I A
O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não foi revisto pelo autor.
Se o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:
“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.
As palavras "Revolução" e "Contra-Revolução", são aqui empregadas no sentido que lhes dá o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em seu livro "Revolução e Contra-Revolução", cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de"Catolicismo", em abril de 1959.
Nossa Senhora acabara de recomendar a oração pelos pecadores, [e] apareceu a visão do inferno.
“Ao dizer estas palavras, - a favor dos pecadores, reparação, etc., narra Lúcia - abriu Nossa Senhora as mãos como nos dois meses anteriores”.

Representação do inferno - Très Riches Heures du Duc de Berry
Naquele gesto próprio à imagem de Nossa Senhora das Graças, as mãos inclinadas para baixo, um jorro de luz saindo das mãos.
“O reflexo que elas expediam, parecia penetrar na terra e vimos como que um mar de fogo e mergulhados nesse fogo os demônios e as almas como se fossem brasas transparentes e negras, com forma humana”.
É preciso notar que sabemos ― para termos uma idéia do que é esse fogo do inferno ,―pela fé, que se trata de um verdadeiro fogo. É preciso, portanto, excluir a idéia modernista, de que o fogo do inferno é uma expressão simbólica, que retrata os sofrimentos de caráter moral. Existe no inferno o sofrimento de caráter moral e esse sofrimento é terrível.É a privação de Deus, é o desespero eterno, a pessoa se sente colocada completamente fora de sua própria natureza, posta num pavoroso conflito consigo mesma. Mas ao lado desse sofrimento moral, existe um sofrimento de ordem física, que se exerce sobre a alma. Há um fogo verdadeiro no inferno, que é fogo realmente e esse fogo queima a alma.
Os videntes após a visão do inferno
Alguém poderá dizer: “Mas não posso compreender como sendo a alma espiritual, possa ser queimada pelo fogo”. É muito fácil compreender: a alma espiritual não está ligada ao corpo? Ela não está ligada, portanto, a algo de caráter material? Se ela está ligada à matéria, por que então não pode ser queimada por algo material? É evidente!
Desse fogo Santo Afonso de Ligório diz o seguinte: que é tão terrível, quea pior chama da terra queima tão pouco em comparação com esse fogo, como uma chama de pintura queima pouco, em comparação com uma chama real da terra. Os Srs. compreendem, portanto, o seguinte: os piores fogos que aqui se vêem, não são tão terríveis quanto o inferno.
É uma meditação muito boa para ser feita. Por isto é que Nossa Senhora quis que aparecesse esse fogo para os pecadores de hoje. Eu costumo, quando vejo alguma chama mais impressionante, lembrar-me do inferno e é uma coisa que faz bem. Quando desço, por exemplo, para Santos e vejo aquela chaminé de Cubatão, com aquela impressionante labareda que sai, eu me agrado em pensar um pouco no inferno. Aquele fogo está preparado para mim, está preparado para cada um dos senhores, se não formos fiéis.
Santa Teresa de Jesus teve a graça de ver o lugar que estava reservado para ela no inferno, se ela não fosse fiel. E era um lugar tremendo, como uma espécie de nicho de forno, de sepultura, onde ela devia entrar dobrada, e ficar dobrada durante toda a eternidade, com o corpo dela, quando se desse a Ressurreição dos mortos. E faz bem, por exemplo, quando a gente passa por essas ruas que estão em conserto, e que têm um piche ardendo dentro de uma espécie de caçarolazinha e que a gente vê aquele fogo saindo como uma chuva de piche, é interessante a gente pensar: “Se eu tivesse que ficar a noite inteira somente com um dedo queimando aqui, eu talvez amanhecesse morto de desespero e de dor! Agora, isto com um fogo que é uma coisinha, perto do fogo do inferno.
O fogo do inferno é terrível e entra por toda a eternidade. Vale a pena pensar nisto! “Medita nos novíssimos e não pecarás eternamente”. Ora, os Novíssimos são: morte, juízo, inferno e paraíso. Temos que pensar nessas quatro verdades, todas elas nos são necessárias e aqui nós vemos como Nossa Senhora estimula a meditação do inferno.
E aí continua:
“Um mar de fogo e mergulhados nesse fogo do horror e das trevas”.
Então, as figuras “que flutuavam no incêndio, levadas pelas chamas que delas mesmas saíam...”
Os Srs. vejam que coisa horrorosa: são movidos pelas chamas que saem de dentro deles. Queimam tanto, que deles saem labaredas! Isto é diferente de queimar de fora para dentro. É ter nas próprias entranhas um fogo que queima de um modo horroroso, não devora nada, e andam pelo impulso desse calor. Os Srs. vejam o tormento que isto representa.
“...juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados...”
Os Srs. imaginem uma doença na qual a pessoa começasse a deitar nuvens de fumo e chamas, e que a pessoa depois fosse cambaleando entre as chamas e andando. Os Srs. podem imaginar o medo quem todos teriam desse contágio? Se houvesse uma pastilha para evitar essa doença, como essa pastilha seria ótimo negócio e todos queriam comprá-la?Entretanto, os Srs. estão vendo como estamos: o homem é tão cego, que não tem medo de fazer frente ao pior sofrimento por toda eternidade.
Mas essa visão foi um dom de Nossa Senhora. Se Nossa Senhora quis dar essa visão, quis que ela houvesse, que ela tivesse se dado, quis para o bem de nossa alma. Nós devemos fazer disso um tesouro e devemos meditar nestas coisas ponto por ponto, pois isto nos auxilia e nos aproxima d'Ela. Depois, para o pecador empedernido que se move pela consideração do inferno. Os filhos da Revolução são empedernidos por definição e sem a consideração do inferno, eles não se salvam. É por causa disto que temos que tomar uma visão dessa e meditá-la ponto por ponto, pedindo a Nossa Senhora a virtude do temor de Deus.
Há algum tempo atrás, um médico me dizia que para morrer, uma pessoa não precisa estar doente há tempos. Há certas formas de doença que acometem a pessoa de um momento para outro e matam. Não é um enfarte. O enfarte tem causas mais ou menos próximas ou remotas; ele é repentino, mas tem uma longa gênese no organismo. Há uma doença chamada embolia - que parece ser uma partícula que se desprende de algum lugar do organismo - que mata o homem instantaneamente. E dá de um momento para outro; pode dar em qualquer um de nós. Quem sabe se um de nós amanhece morto amanhã? Quem de nós sabe se vai estar vivo quando se levantar? Fato comum: Fulano morreu! Bateram na porta, ele não respondeu. A criada ficou nervosa, chamou o pai, chamou a mãe... entraram, ele estava morto! Não é impossível!
Então:
“...entre gritos de desespero que nos horrorizavam e enchiam de pavor. Os demônios se apresentavam como figuras asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, transparentes como negros carvões em brasa”.
Já comentei com os Srs. quão nojento é esmagar alguma taturana ou algum bicho desses. Sai uma gosma horrorosa de dentro. Fica-se com pavor daquilo. Os Srs. imaginem um homem que tivesse que passar a eternidade banhado inteiro no suco asqueroso de uma taturana! Seria uma visão horrível! É menos que o nojo do demônio, porque o demônio é asqueroso, é porco, é todo deformado, é monstruoso em todos os aspectos. E é esse um inimigo que nos atrai a si e é por causa de tantos “barrabás”, que nós o preferimos à Nosso Senhor Jesus Cristo.
Nossa Senhora disse à Lúcia:
 “Vistes o inferno para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração”.
Vejam bem: portanto, se queremos nos salvar, devoção ao Imaculado Coração de Maria.
“Se fizerem o que eu disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar” etc.,
Eu chamo atenção para Nossa Senhora - parece que na aparição de Fátima - ter dado ênfase especial à devoção ao Imaculado Coração d'Ela, que era uma devoção relativamente pouco espalhada na Igreja.
Essa devoção é pouco espalhada na Igreja. A bem dizer, ela data do século XVI. Vê-se então que é uma dessas maravilhas de graça, que Nossa Senhora reservou para esse tempo de aflição. E Ela especialmente indica que devemos ter devoção ao Imaculado Coração d'Ela para nos salvar dos nossos pecados e especialmente do pecado da Revolução, e especialmente as raízes do pecado da Revolução, que são o orgulho e a impureza.
Se alguém quer vencer o demônio do orgulho, o demônio da impureza, consagre-se ao Imaculado Coração de Maria e faça uma jaculatória, por exemplo, ao Coração de Maria, análoga à que se faz ao Sagrado Coração de Jesus. Há aquela jaculatória muito bonita: “Ó Jesus, manso e humilde de coração, fazei meu coração semelhante ao Vosso”.
Podemos dizer isto a Nossa Senhora: “Ó Maria, mansa e humilde de coração, fazei nosso coração contra-revolucionário e humilde semelhante ao Vosso”.
Ou “Ó Maria, combativa e humilde de Coração, fazei nosso coração combativo e humilde como o Vosso”.
E essa me parece que seria a jaculatória melhor: “Ó Imaculado Coração de Maria, que sois sem mancha, fazei-me sem mancha como sois Vós mesmo”.
Aí estão jaculatórias para extirpar em nós o demônio da Revolução.

7 de mayo de 2016

FATIMA. Prologo de Plinio Corrêa de Oliveira - Antonio Augusto Borelli Machado: A Mensagem de Fátima, essa desconhecida




100 anos das aparições do Anjo de Portugal que prepararam os três pastorinhos para receber a Mensagem de Fátima

“As revelações de Fátima sobrepujam tudo quanto a Providência tem dito aos homens na iminência das grandes borrascas da História”


Há 63 anos, em maio de 1953, o Professor Plinio Corrêa de Oliveira escrevia nestas páginas as palavras que seguem:

“O Império Romano do Ocidente se encerrou com um cataclismo iluminado e analisado pelo gênio de um grande Doutor, que foi Santo Agostinho. O ocaso da Idade Média foi previsto por um grande profeta, São Vicente Ferrer. A Revolução Francesa, que marca o fim dos Tempos Modernos, foi prevista por outro grande profeta, e ao mesmo tempo grande Doutor, São Luís Maria Grignion de Montfort. Os Tempos Contemporâneos, que parecem na iminência de se encerrar com nova crise, têm um privilégio maior. Veio Nossa Senhora falar aos homens.

Santo Agostinho não pôde senão explicar para a posteridade as causas da tragédia que presenciava. São Vicente Ferrer e São Luís Grignion de Montfort procuraram em vão desviar a tormenta: os homens não os quiseram ouvir. Nossa Senhora a um tempo explica os motivos da crise e indica o seu remédio, profetizando a catástrofe caso os homens não a ouçam.

De todo ponto de vista, pela natureza do conteúdo como pela dignidade de quem as fez, as revelações de Fátima sobrepujam pois tudo quanto a Providência tem dito aos homens na iminência das grandes borrascas da História.

Os diversos pontos das revelações relativos a este tema constituem propriamente o elemento essencial das mensagens. O mais, por importante que seja, constitui mero complemento.”

Era, portanto, mais do que oportuno retomar o tema no momento em que o mundo católico se prepara para celebrar o centenário das aparições ocorridas na localidade portuguesa de Fátima, de maio a outubro de 1917. Para isso, Catolicismo pediu a um de seus colaboradores que elaborasse uma atualização da importante matéria. Este apresentou então um artigo que escreveu para a revista “Radici Cristiane”, editada em Roma, a qual lhe fizera semelhante pedido. É o que temos a alegria de oferecer na presente edição.

Ademais, em 1916 ocorreram as três aparições do Anjo da Paz, ou Anjo de Portugal, que prepararam as privilegiadas crianças para as visões de Nossa Senhora, no ano seguinte. Entendemos que uma nova leitura dessas aparições também prepararia nossos leitores para uma comemoração condigna do centenário das aparições de Nossa Senhora no ano vindouro.

Eis por que elas aparecem em continuação ao presente artigo, extraídas do livro Fátima, Mensagem de tragédia ou de esperança, do nosso mesmo colaborador.

A Direção de Catolicismo
_______________________

A Mensagem de Fátima, essa desconhecida

      Antonio Augusto Borelli Machado

Não é fácil discernir o que há de mais central na Mensagem de Fátima. Revelada aos poucos por desejo expresso de Nossa Senhora ou por determinações humanas, é tão rica em aspectos relevantes que, conforme o feitio próprio de alma de cada um, ele se deterá ora num, ora noutro desses aspectos, sem fixar-se em nenhum como o seu substrato fundamental.

Ora, quando num assunto qualquer não se discerne o ponto essencial, sua compreensão fica gravemente prejudicada. Nessas condições, pode-se dizer que a Mensagem de Fátima é desconhecida do grosso do público, mesmo do público devoto, no que ela tem de mais próprio a mover as almas.

O presente artigo é escrito na suposição de que o leitor tenha conhecimento ao menos genérico das aparições, bem como dos diversos aspectos que compõem a Mensagem, em particular as passagens mais significativas das quatro principais Memórias escritas pela privilegiada vidente, a Irmã Lúcia, muito em particular o conteúdo dos assim chamados três Segredos — na realidade um Segredo único constituído de três partes distintas, as duas primeiras dadas a conhecer em 1941, e a terceira escrita em 3 de janeiro de 1944.

Em síntese, Nossa Senhora diz que a sociedade humana se encontra em tal oposição às vias de Deus que, caso não se emendar, um grande Castigo se abaterá sobre o mundo, reduzindo-o a ruínas. Para ser preciso, “meio em ruínas”, o que nos dá a esperança de que preciosos monumentos da Cristandade serão preservados.
Ademais, como Mãe misericordiosa, Nossa Senhora não se limita a anunciar o Castigo: ela aponta os meios que os homens podem empregar para evitá-lo. Indica meios tradicionais, válidos para qualquer época histórica, e ações concretas aplicáveis aos dias de hoje.

Oração e penitência

Começando pelos tradicionais, não poderiam ser outros senão aqueles mesmos já apregoados por seu Divino Filho no Evangelho: oração e penitência. E para estimular os três pequenos videntes — Lúcia (dez anos), Jacinta (sete anos) e Francisco (nove anos) — a se engajarem nessa via, mostra-lhes o inferno, para onde vão as almas dos que morrem impenitentes (primeira parte do Segredo). Ademais, fala-lhes de guerras que produzirão ruínas muito grandes — várias nações serão aniquiladas (segunda parte do Segredo) — e perseguições aos bons, os quais serão martirizados aos pés de uma Cruz. E pelo célebre princípio enunciado por Tertuliano, segundo o qual o sangue dos mártires é semente de novos cristãos, o sangue dos mártires dos tempos atuais não se perderá, infiltrando-se inutilmente pela terra. Para que isso não aconteça, esse sangue é recolhido em regadores de cristal por dois Anjos postados sob os braços da Cruz, e em seguida derramado sobre homens ignotos que vão se reaproximando de Deus (terceira parte do Segredo). Com estes restos da humanidade que misteriosamente se esgueiravam despercebidos à margem do confronto entre bons e maus que ocorria em torno deles, reconstituir-se-á a civilização cristã do futuro, como continuidade da civilização cristã medieval destruída pela revolução anticristã (veja-se Plinio Corrêa de Oliveira, Revolução e Contra-revolução, São Paulo, 1959).

As perspectivas apocalípticas aqui enunciadas parecerão a mais de um leitor fruto de alguma mente visionária! Não obstante, elas desfecham numa perspectiva muito coerente e plena de sentido. Nossa Senhora mesma a anuncia (no final da segunda parte do Segredo): “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”.

Terá o leitor entendido bem o alcance desta afirmação? O triunfo de Maria implica no triunfo de seu Divino Filho, em pleno acordo com a profecia enunciada há três séculos por São Luís Grignion de Montfort. Segundo ele, o Reino de Cristo se estabelecerá, ipso facto, nesta Terra, com o triunfo do Imaculado Coração de Maria! (cfr. Tratado da Verdadeira Devoção, n° 217).

Laicismo, para não dizer ateísmo...

Ora, o processo revolucionário que se desencadeou no fim da Idade Média tentou — e conseguiu, através de etapas e métodos vários — minar a unidade da Igreja e introduzir-se até em seu seio, levando a sociedade humana a descristianizar-se, a ponto de disseminar o princípio da laicidade do Estado por toda a Cristandade.

Segundo este princípio, o Estado proclama-se oficialmente laico em matéria de Religião, não se pronunciando sobre qual seja a religião verdadeira e concedendo a liberdade de culto a todo agrupamento religioso. Nessa concepção, aparentemente neutra em matéria de Religião, o Estado só interviria para manter a ordem pública.

Porém, essa pretensa neutralidade religiosa do Estado laico não passa de uma falácia.
Na prática, os fatos se passam muito diferentemente. Como mostrou o Papa Leão XIII na encíclica Immortale Dei, de 1° de novembro de 1885, “nessa situação política, que muitos favorecem hoje em dia, há uma tendência das ideias e das vontades para expulsar inteiramente a Igreja da sociedade, ou para mantê-la sujeita e acorrentada ao Estado. [...] Relativamente à religião, pensar que é indiferente tenha ela formas disparatadas e contrárias equivale simplesmente a não querer nem escolher nem seguir qualquer delas. É o ateísmo menos o nome” (n°s 35 e 37).

Assim, na realidade dos fatos, do pretenso indiferentismo religioso apregoado pelo Estado laico passa-se ao ateísmo tout court. E daí a uma perseguição religiosa ostensiva, com o intuito de remover da legislação do Estado laico todos os princípios da moral natural e da teologia católica, com a admissão do aborto, da eutanásia, da Ideologia de Gênero, etc.

Apostasia silenciosa dos católicos

Entretanto, passa-se algo em certo sentido mais grave. Se pelo menos as populações católicas se mantivessem imunes e firmes na observância da moral e da doutrina em que foram formadas!... O efeito prático da implantação do Estado laico/ateu é o deslizamento paulatino das fileiras católicas para a aceitação de situações totalmente condenadas pela Moral católica, como o convívio pré-matrimonial, seguido, na melhor das hipóteses, depois de algum tempo, da realização do matrimônio na Igreja. Num grande número de casos, a intenção de casar na Igreja fica para as calendas gregas...

Tal fenômeno corresponde ao que está sendo chamado — e de fato é — uma “apostasia silenciosa” (cfr. João Paulo II, Ecclesia in Europa, 28 de junho de 2003, n° 9), que atinge todos os campos da vida católica, inclusive a própria liturgia! “Certos aspectos da cultura de massa pós-moderna — contrariamente a certas batalhas ideológicas filhas do Iluminismo, que permaneceram patrimônio de elites muito restritas por todo o século XIX e parte do século XX — levam a reconhecer influências externas muito difusas sobre a liturgia, e que são propriamente não-cristãs ou diretamente anticristãs” (Giannicola D’Amico, Il canto gregoriano: itinerario storico-giuridico, in Alla scuola del canto gregoriano, a cura di Fulvio Rampi, Musidora, Parma, 2015, p. 168).

Não falar do Castigo para não assustar...

Nesta perspectiva concreta e realista, surpreende que muitos dentre os mais denodados propagandistas de Fátima omitam este aspecto fundamental. Sobretudo na Hierarquia eclesiástica, muitos estimaram que o anúncio de tão grande castigo assustaria muita gente!...

Sem dúvida, muitos se assustariam. Porém, de outro lado — fenômeno auspicioso! — cresce pouco a pouco o número dos que percebem o desconcerto geral que afeta o mundo moderno, tendo-se criado uma situação tão desprovida de remédio humano, que sem uma intervenção extraordinária da Providência não tem mais conserto!

A originalidade da Mensagem de Fátima é justamente esta: Nossa Senhora veio anunciar ao mundo que Deus preparou uma saída divina para uma situação humana sem saída.

Ela envolve uma alternativa drástica: a) ou o mundo moderno se converte, faz penitência e assim o castigo é afastado; ou b) não se converte e será castigado com uma destruição de proporções apocalípticas.

Mas nesta alternativa se discerne a Misericórdia divina: uma nova civilização autenticamente católica se reconstituirá sobre os escombros do mundo laico e ateu, que hoje nos constrange. Fátima se revela uma mensagem de esperança que supera de muito a tragédia que anuncia.

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Aparições do Anjo de Portugal

Antes das aparições de Nossa Senhora, Lúcia, Francisco e Jacinta — Lúcia de Jesus dos Santos, e seus primos Francisco e Jacinta Marto, todos residentes na aldeia de Aljustrel, freguesia de Fátima — tiveram três visões do Anjo de Portugal, ou da Paz.

Primeira aparição do Anjo

A primeira aparição do Anjo deu-se na primavera ou no verão de 1916, numa loca (ou gruta) do outeiro do Cabeço, perto de Aljustrel, e desenrolou-se da seguinte maneira, conforme narra a Irmã Lúcia:

“Alguns momentos havia que jogávamos, e eis que um vento forte sacode as árvores e faz-nos levantar a vista para ver o que se passava, pois o dia estava sereno. Então começamos a ver, a alguma distância, sobre as árvores que se estendiam em direção ao nascente, uma luz mais branca que a neve, com a forma de um jovem transparente, mais brilhante que um cristal atravessado pelos raios do sol.

À medida que se aproximava, íamos-lhe distinguindo as feições: um jovem dos seus 14 a 15 anos, de uma grande beleza. Estávamos surpreendidos e meio absortos. Não dizíamos palavra.

Ao chegar junto de nós, disse:

— “Não temais. Sou o Anjo da Paz. Orai comigo”.

E ajoelhando em terra, curvou a fronte até o chão. Levados por um movimento sobrenatural, imitamo-lo e repetimos as palavras que lhe ouvimos pronunciar:

— “Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e Vos não amam”.

Depois de repetir isto três vezes, ergueu-se e disse:

— “Orai assim. Os Corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas”.

E desapareceu.

A atmosfera do sobrenatural, que nos envolveu, era tão intensa, que quase não nos dávamos conta da própria existência, por um grande espaço de tempo, permanecendo na posição em que nos tinha deixado, repetindo sempre a mesmo oração. A presença de Deus sentia-se tão intensa e íntima, que nem mesmo entre nós nos atrevíamos a falar. No dia seguinte, sentíamos o espírito ainda envolvido por essa atmosfera, que só muito lentamente foi desaparecendo.

Nesta aparição, nenhum pensou em falar, nem em recomendar o segredo. Ela de si o impôs. Era tão íntima, que não era fácil pronunciar sobre ela a menor palavra. Fez-nos talvez também maior impressão, por ser a primeira assim manifesta”.
(Cfr. II Memória, pp. 114, 116; IV Memória, pp. 318, 320; De Marchi, pp. 51-52; Walsh, pp. 39-40; Ayres da Fonseca, p. 121; Galamba de Oliveira, pp. 52-57).

Segunda aparição do Anjo

A segunda aparição deu-se no verão de 1916, sobre o poço da casa dos pais de Lúcia, junto ao qual as crianças brincavam. Assim narra a Irmã Lúcia o que o Anjo lhes disse — a ela e aos primos — então:

— “Que fazeis? Orai! Orai muito! Os Corações Santíssimos de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios”.

— “Como nos havemos de sacrificar?” — perguntei.

— “De tudo que puderdes, oferecei a Deus um sacrifício em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores. Atraí assim sobre a vossa pátria a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo aceitai e suportai com submissão o sofrimento que o Senhor vos enviar”.
E desapareceu.

Estas palavras do Anjo gravaram-se em nosso espírito, como uma luz que nos fazia compreender quem era Deus; como nos amava e queria ser amado; o valor do sacrifício, e como ele Lhe era agradável; como, por atenção a ele, convertia os pecadores”.

(Cfr. II Memória, p. 116; IV Memória, pp. 320, 322; De Marchi, p. 53; Walsh, p. 42; Ayres da Fonseca, pp. 121-122; Galamba de Oliveira, pp. 57-58).

Terceira aparição do Anjo

A terceira aparição ocorreu no fim do verão ou princípio do outono de 1916, novamente na Loca do Cabeço, e decorreu da seguinte forma, sempre de acordo com a descrição da Irmã Lúcia:

“Logo que aí chegamos, de joelhos, com os rostos em terra, começamos a repetir a oração do Anjo: “Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-Vos, etc.” Não sei quantas vezes tínhamos repetido esta oração, quando vemos que sobre nós brilha uma luz desconhecida. Erguemo-nos para ver o que se passava, e vemos o Anjo trazendo na mão esquerda um cálice e suspensa sobre ele uma Hóstia, da qual caíam dentro do cálice algumas gotas de Sangue. Deixando o cálice e a Hóstia suspensos no ar, prostrou-se em terra junto de nós e repetiu três vezes a oração:

— “Santíssima Trindade, Padre, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o Preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelo méritos infinitos do seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores”.

Depois, levantando-se, tomou de novo na mão o cálice e a Hóstia, e deu-me a Hóstia a mim e o que continha o cálice deu-o a beber à Jacinta e ao Francisco, dizendo ao mesmo tempo:

— “Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus”.

De novo se prostrou em terra e repetiu conosco mais três vezes a mesmo oração: “Santíssima Trindade... etc.” e desapareceu.

Levados pela força do sobrenatural, que nos envolvia, imitávamos o Anjo em tudo, isto é, prostrando-nos como ele e repetindo as orações que ele dizia. A força da presença de Deus era tão intensa, que nos absorvia e aniquilava quase por completo. Parecia privar-nos até do uso dos sentidos corporais por um grande espaço de tempo. Nesses dias fazíamos as ações materiais como que levados por esse mesmo ser sobrenatural que a isso nos impelia. A paz e a felicidade que sentíamos era grande, mas só íntima, completamente concentrada a alma em Deus. O abatimento físico que nos prostrava também era grande.

Não sei porque, as aparições de Nossa Senhora produziam em nós efeitos bem diferentes. A mesma alegria íntima, a mesma paz e felicidade. Mas, em vez desse abatimento físico, uma certa agilidade expansiva; em vez desse aniquilamento na Divina Presença, um exultar de alegria; em vez dessa dificuldade no falar, um certo entusiasmo comunicativo. Mas, apesar destes sentimentos, sentia a inspiração para calar, sobretudo algumas coisas. Nos interrogatórios, sentia a inspiração íntima que me indicava as respostas que, sem faltar à verdade, não descobrissem o que devia por então ocultar”.

(Cfr. II Memória, p. 118; IV Memória, pp. 322-326; De Marchi, pp. 54-55; Walsh pp. 43-44; Ayres da Fonseca, pp. 122-123; Galamba de Oliveira, pp 58-59).
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As aparições do Anjo, em 1916, foram precedidas por três outras visões, de abril a outubro de 1915, nas quais Lúcia e outras três pastorinhas, Maria Rosa Matias, Teresa Matias e Maria Justino, viram, também no outeiro do Cabeço, suspensa no ar sobre o arvoredo do vale, “uma como que nuvem mais branca que a neve, algo transparente, com forma humana”. Era “uma figura como se fosse uma estátua de neve, que os raios do sol tornavam algo transparente”. A descrição é da própria Irmã Lúcia (cfr. II Memória, p. 110; IV Memória, pp. 316 e 318; De Marchi, pp. 50-51; Walsh, pp. 27-28; Ayres da Fonseca, p. 119; Galamba de Oliveira, p. 51).



12 de marzo de 2016

Fátima registra el mayor número de peregrinos de los últimos años

  ZENIT – Espanol

Fátima registra el mayor número de peregrinos de los últimos años

El obispo de Leiría: ‘María llamó a los tres pastorcitos desde la periferia del mundo para intervenir con la oración y el sacrificio’

Santuario de Fatima
Santuario de Fatima

El Santuario de Fátima en Portugal, lugar de las apariciones de la Virgen María a los tres jóvenes pastores registró en el 2015 el mayor número de peregrinos de los últimos años, o sea, desde que existe un registro que contabiliza las cifras.

Lo informó ayer el Santuario de Fátima, precisando que de los 6,7 millones de participantes a las casi 10 mil celebraciones que se realizaron allí en el 2015, los peregrinos que vinieron en grupo fueron 587.128, provenientes de 90 países, de acuerdo a los datos del Servicio de Peregrinos.

Mientras que las personas que llegaron por su cuenta son de 162 nacionalidades, como registran los puntos de informaciones del Santuario y de Aljustrel, donde se acercaron 184.128 peregrinos. La casa de los pastorcillos más visitada fue la de Lucía, con 336.299 presencias, un poco más que las de Jacinta y Francisco, los otros dos pequeños videntes marianos.

Pocas semanas antes de la divulgación de estos datos, el obispo de Leiría-Fátima, Antonio Marto, señaló que el mensaje de Fátima, “después de las Escrituras” es la “denuncia más fuerte e impresionante del pecado del mundo” lo que “invita a toda la Iglesia y al mundo a un serio examen de conciencia”.

El obispo que participó en el ámbito de las conmemoraciones del Día Nacional de la Universidad Católica Portuguesa, con la disertación “Fátima, mensaje de misericordia y de esperanza para el mundo”, destacó la importancia y la actualidad del mensaje de Fátima, sobre todo a la luz del mundo actual.

“Fátima es, verdaderamente, un fenómeno y un acontecimiento que se va desvelando y desarrollando a lo largo de la historia y se convirtió en un punto de referencia y de irradiación inevitable para la historia de la Iglesia y de la humanidad” afirmó.

“Lo que impresiona y causa espanto –prosiguió el obispo de Leiria-Fátima– es que el contexto y el contenido del mensaje no se restringe a un camino de fe personal de los pequeños videntes”, sino que “es de alcance histórico y mundial: se sitúa en el centro de las preocupaciones mundiales y de los acontecimientos históricos más trágicos del siglo XX”.

Se refirió a su contexto, con particular incidencia en “los dos grandes conflictos, la primera y la segunda Guerra Mundial; los totalitarismos en las versiones del estalinismo y del nazismo; la ‘mentira sistemática’ para reescribir la historia; un programa de negación de Dios; la aniquilación y la muerte del ser humano y el desprecio total de la dignidad de la persona, en la expresividad numérica de decenas de millones de víctimas, en nombre de la pureza radical de la ideología, de la revolución o de la raza, elevadas a la categoría de nuevas divinidades”.

Ante esta situación de la “humanidad herida”, el mensaje de Fátima es, aseguró el obispo, “portavoz del clamor de la víctimas” y se convierte en una “invitación a leer la historia a partir de las víctimas, a detenerse ante el misterio del hombre delante del misterio de Dios”.

Para el obispo de Leiria-Fátima, “la singular coincidencia temporal de estas apariciones con horas históricas de extrema gravedad” constituyó una intervención divina en la historia de la humanidad “mediante el rostro materno de María, una luz sobre la historia del mundo”.

El núcleo del mensaje está, en la “invitación a reconducir hacia el centro de la vida cristiana y del mundo la adoración de Dios, Señor de la Historia, el reconocimiento de su primacía, la adhesión a su voluntad salvífica, la invitación a encender el deseo de amor a Dios y estimular la práctica del amor reparador”.

Y así, concluyó asegurando que tal y como los pastorcitos “son llamados, desde la periferia, a intervenir en la historia a favor de la paz” a través de la adoración, de la devoción reparadora, de la conversión y del propio sacrificio según las costumbres piadosas de la época” también hoy los cristianos están convocados a intervenir, conscientes de que “el Inmaculado Corazón de María triunfará y será concedido al mundo un periodo de paz”.