8 de febrero de 2018

Espírito de resistência e amor à Igreja

 Agência Boa Imprensa – ABIM


Espírito de resistência e amor à Igreja

Herói da resistência anticomunista, o Cardeal József Mindszenty (1892–1975), foi Arcebispo-Príncipe de Esztergom e Primaz da Hungria. Preso pelo regime comunista e cruelmente torturado, resistiu corajosamente. Na foto, em 1956, o Cardeal libertado do cárcere durante o levante popular anticomunista.
Roberto de Mattei (*)

À medida que se aproxima o quinto aniversário da eleição do Papa Francisco, ouvimos muitas vezes repetir que estamos diante de uma página dramática e absolutamente inédita na história da Igreja. Isto é apenas parcialmente verdadeiro. A Igreja sempre conheceu horas trágicas que viram a laceração de seu Corpo Místico, desde o nascimento no Calvário até tempos mais recentes.
 Herói da resistência anticomunista, o Cardeal József Mindszenty (1892–1975), foi Arcebispo-Príncipe de Esztergom e Primaz da Hungria. Preso pelo regime comunista e cruelmente torturado, resistiu corajosamente. Na foto, em 1956, o Cardeal libertado do cárcere durante o levante popular anticomunista.        Os mais jovens não sabem e os idosos esqueceram os terríveis anos que se seguiram ao Concílio Vaticano II, dos quais a era atual provém. 50 anos atrás, enquanto explodia [na Sorbonne] a revolta de 1968, um grupo de cardeais e bispos, que tinham sido os protagonistas do Concílio, tentaram impor uma mudança radical na doutrina católica sobre o casamento. A tentativa foi frustrada porque Paulo VI, com a encíclica Humanae Vitae, de 25 de julho de 1968, reiterou a proibição da contracepção artificial, restituindo força e esperança ao rebanho desorientado. Mas Paulo VI, o Papa da Humanae Vitae, foi também aquele que causou uma ruptura profunda com a tradição católica, ao impor em 1969 o novo rito da Missa, que está na origem da devastação litúrgica atual. O mesmo Paulo VI promoveu a Ostpolitik, assumindo em 18 de novembro de 1973 a grave decisão de retirar de seu cargo de Arcebispo de Esztergom e Primaz da Hungria o Cardeal József Mindszenty (1892-1975), [foto acima e ao lado] campeão da oposição católica ao comunismo. O Papa Montini desejava a realização do “compromisso histórico” na Itália, por meio de um acordo entre o secretário da Democracia Cristã, Aldo Moro, e o secretário do Partido Comunista, Enrico Berlinguer. A operação foi abruptamente interrompida unicamente pelo sequestro e assassinato de Moro, do qual ocorrerá em breve o quadragésimo aniversário, seguido da morte do próprio Papa Montini em 6 de agosto de 1978.
Naqueles anos de prevaricação e de sangue, algumas vozes corajosas se ergueram e devem ser lembradas não apenas por dever de memória, mas porque ajudam a nos orientar na escuridão do momento presente. Recordamos duas, anteriores à explosão do chamado “caso Lefèbvre”, o arcebispo francês de quem Mons. Athanasius Schneider, em uma entrevista recente, sublinhou a “missão profética em um tempo obscuro e extraordinário de uma crise generalizada da Igreja”.
A primeira voz é a do teólogo dominicano francês padre Roger Calmel [foto ao lado], que em 1969 
rejeitou o Novus Ordo de Paulo VI e em junho de 1971 escreveu na revista Itinéraires:
“A nossa resistência cristã de sacerdotes ou de leigos, resistência dolorosíssima porque nos obriga a dizer não ao próprio Papa a respeito da manifestação modernista da Missa católica, nossa resistência respeitosa, mas inflexível, é ditada pelo princípio da plena fidelidade à Igreja sempre viva; ou, em outras palavras, pelo princípio da fidelidade viva ao desenvolvimento da Igreja. Nunca pensamos frear ou, menos ainda, impedir aquilo que alguns, com palavras aliás muito equivocadas, chamam de ‘progresso’ da Igreja, mas que é na realidade seu crescimento homogêneo em questões doutrinárias e litúrgicas, na continuidade da tradição, a caminho da ‘consummatio sanctorum’. […] Como Nosso Senhor nos revelou nas parábolas, e como ensina São Paulo nas suas epístolas, acreditamos que a Igreja, através dos tempos, cresce e se desenvolve em harmonia, mas através de mil sofrimentos, até o retorno glorioso do próprio Jesus, seu Esposo e Senhor nosso. É precisamente porque estamos convencidos de que ao longo dos séculos se verifica o crescimento da Igreja, e porque estamos prestes a nos inserir, tanto quanto depende de nós e o mais retamente possível, neste movimento ininterrupto e misterioso, que rejeitamos este pretenso progresso que o Vaticano II reivindica e que na realidade é um desvio mortal. Retomando a distinção clássica de São Vincente de Lerins, quanto mais temos desejado um belo crescimento, um esplêndido ‘profectus’, tanto mais vigorosamente rejeitamos, sem consentir em transações, uma fatal ‘permutatio’ ou qualquer mudança radical e vergonhosa — radical, porque provindo do modernismo nega toda a fé; vergonhosa, porque toda negação de molde modernista é evasiva e oculta”.
         A segunda voz é a do pensador e homem de ação brasileiro Plinio Corrêa de Oliveira [foto ao Herói da resistência anticomunista, o Cardeal József Mindszenty (1892–1975), foi Arcebispo-Príncipe de Esztergom e Primaz da Hungria. Preso pelo regime comunista e cruelmente torturado, resistiu corajosamente. Na foto, em 1956, o Cardeal libertado do cárcere durante o levante popular anticomunista.
lado], autor de um manifesto de resistência à Ostpolitik vaticana publicado no dia 10 de abril de 1974 em nome da associação Tradição, Família e Propriedade, sob o título de A política de distensão do Vaticano com os governos comunistas. Para a TFP: omitir-se ou resistir?
          Plinio Corrêa de Oliveira explicava: “Resistir significa que aconselharemos os católicos a que continuem a lutar contra a doutrina comunista com todos os recursos lícitos, em defesa da Pátria e da Civilização Cristã ameaçadas.”; e acrescentava: “As laudas da presente declaração seriam insuficientes para conter o elenco de todos os Padres da Igreja, Doutores, moralistas e canonistas — muitos deles elevados à honra dos altares — que afirmam a legitimidade da resistência. Uma resistência que não é separação, não é revolta, não é acrimônia, não é irreverência. Pelo contrário, é fidelidade, é união, é amor, é submissão. ‘Resistência’ é a palavra que escolhemos de propósito, pois ela é empregada nos Atos dos Apóstolos pelo próprio Espírito Santo, para caracterizar a atitude de São Paulo. Tendo o primeiro Papa, São Pedro, tomado medidas disciplinares referentes à permanência no culto católico de práticas remanescentes da antiga Sinagoga, São Paulo viu nisto um grave fator de confusão doutrinária e de prejuízo para os fiéis. Levantou-se então e “resistiu em face” a São Pedro (Gal. II, 11). Este não viu, no lance fogoso e inesperado do Apóstolo das Gentes, um ato de rebeldia, mas de união e amor fraterno. E, sabendo bem no que era infalível e no que não era, cedeu ante os argumentos de São Paulo. Os Santos são modelos dos católicos. No sentido em que São Paulo resistiu, nosso estado é de resistência. E nisto encontra paz nossa consciência.”
Herói da resistência anticomunista, o Cardeal József Mindszenty (1892–1975), foi Arcebispo-Príncipe de Esztergom e Primaz da Hungria. Preso pelo regime comunista e cruelmente torturado, resistiu corajosamente. Na foto, em 1956, o Cardeal libertado do cárcere durante o levante popular anticomunista.A “resistência” não é uma declaração de fé puramente verbal, mas um ato de amor à Igreja que acarreta consequências práticas. Quem resiste se distancia daquele que causa divisão na Igreja, critica-o abertamente, corrige-o. Expressaram-se nessa linha, em 2017, a Correctio filialis ao Papa Francisco e o manifesto dos movimentos pró-vida, publicado sob o título Fiéis à verdadeira doutrina, não aos pastores errados. Situa-se hoje na mesma linha a atitude intransigente do Cardeal Joseph Zen Zekiun [foto ao lado] em relação à nova Ostpolitik do Papa Francisco com a China comunista. Aos que lhe objetam ser necessário “tentar encontrar um terreno comum para unir o Vaticano e a China separados por décadas”, o Cardeal Zen responde: “Mas pode haver algo de ‘comum’ com um regime totalitário? Ou você se entrega ou então aceita a perseguição, permanecendo fiel a si mesmo. Pode-se imaginar um acordo entre São José e o Rei Herodes?”. E para aqueles que lhe perguntam se ele está convencido de que o Vaticano está vendendo a Igreja Católica na China, ele responde: “Sim, indubitavelmente, se eles continuarem a caminhar na direção que é óbvia em tudo o que fizeram nesses últimos meses e anos”.
Anunciou-se para o dia 7 de abril um simpósio em Roma, do qual muito ainda se ignora, mas cujo tema seria a atual crise da Igreja. A participação de alguns cardeais e bispos, sobretudo do Cardeal Zen, daria máximo crédito a essa reunião. Devemos rezar para que dela possa elevar-se uma voz de amor pela Igreja e de firme resistência a todos os desvios teológicos, morais e litúrgicos do atual pontificado, sem a ilusão de que a solução seria de insinuar a invalidade da renúncia de Bento XVI ou a eleição do Papa Francisco. Refugiar-se na questão canônica equivale a evitar debater o problema doutrinário, que está na raiz da crise que estamos vivendo.

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(*) Fonte: “Corrispondenza romana”, 7-2-2018. Matéria traduzida do original italiano por Hélio Dias Viana.

7 de febrero de 2018

El Papa Francisco advierte: «Los falsos profetas son como los encantadores de serpientes»



El Papa Francisco advierte: «Los falsos profetas son como los encantadores de serpientes»


Propone oración, limosna y ayuno «a todos los hombres y mujeres de buena voluntad», más allá de la Iglesia católica

Corresponsal en El VaticanoActualizado:

Recordando las advertencias de Jesús contra los «falsos profetas», el Papa Francisco ha precisado el martes que «son como encantadores de serpientes; se aprovechan de las emociones humanas para esclavizar a las personas y llevarlas adonde ellos quieren» mediante la ilusión del dinero, el placer fácil o la «vida completamente virtual».
En tono muy vigoroso, el Santo Padre advierte en su «Mensaje para la Cuaresma 2018» que «la avidez de dinero» se transforma «en violencia contra aquellos que consideramos una amenaza: el niño por nacer, el anciano enfermo, el huésped de paso, el extranjero…».
Por culpa de la mala conducta de muchos, «la tierra está envenenada por los desechos; los mares, también contaminados, tienen que recubrir por desgracia los restos de tantos náufragos de las migraciones forzadas; los cielos se ven surcados por máquinas que hacen llover instrumentos de muerte».
Pero Francisco no enumera esos problemas como un lamento estéril sino como acicate a la renovación espiritual, que es condición previa a la renovación de conducta.
Y aconseja hacerlo en los cuarenta días de preparación a la Semana Santa pues «la Iglesia, nuestra madre y maestra, además de la medicina a veces amarga de la verdad, nos ofrece en este tiempo de Cuaresma el dulce remedio de la oración, la limosna y el ayuno».
Se trata de «remedios» pues, según el Papa, «la oración hace que nuestro corazón descubra las mentiras secretas con las cuales nos engañamos a nosotros mismos», mientras que «el ejercicio de la limosna nos libera de la avidez y nos ayuda a descubrir que el otro es mi hermano». A su vez, «el ayuno debilita nuestra violencia, nos desarma, y constituye una importante ocasión para crecer».
Francisco confiesa el deseo de «que mi voz traspasara las fronteras de la Iglesia Católica, para que llegara a todos ustedes, hombres y mujeres de buena voluntad, dispuestos a escuchar a Dios».
En tono conciliador les dice que «si se sienten afligidos como nosotros, porque en el mundo se extiende la iniquidad, si les preocupa la frialdad que paraliza el corazón y las obras, si ven que se debilita el sentido de una misma humanidad, únanse a nosotros para invocar juntos a Dios, para ayunar juntos y entregar juntos lo que podamos como ayuda para nuestros hermanos».
Francisco presidirá el próximo día 14 los ritos del Miércoles de Ceniza y se desplazará como todos los años a una casa de retiros cercana a Roma para hacer ejercicios espirituales en silencio del 18 al 23 de febrero.

La predicación correrá este año a cargo de un sacerdote y poeta portugués, José Tolentino de Mendonça, vicerrector de la Universidad Católica de Lisboa, quien hablará de «La sed». La de Jesús y la de las personas de hoy.

6 de febrero de 2018

Pericolo di scisma in Cina. Il cardinale Zen: "Il papa mi ha detto…". Con un Post Scriptum


Settimo Cielo di Sandro Magister, 29 gen 2018;


2/6/2018 1:51:43 PM.

Pericolo di scisma in Cina. Il cardinale Zen: "Il papa mi ha detto…". Con un Post Scriptum

Zen
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La lettera aperta riprodotta integralmente qui sotto è stata pubblicata oggi, lunedì 29 gennaio, dal cardinale Joseph Zen Ze-Kiun, vescovo emerito di Hong Kong, sul suo blog ed è stata immediatamente rilanciata dall'agenzia Asia News del Pontificio Istituto Missioni Estere.
In essa, il cardinale rivela il contenuto essenziale di un suo colloquio con papa Francesco, al quale ha esposto i suoi gravi timori per i passi compiuti recentemente in Cina da rappresentanti vaticani.
Questi passi sono consistiti nel chiedere a due vescovi "sotterranei" e riconosciuti dalla Santa Sede, quelli di Shantou e di Mindong, di lasciare il posto a due vescovi di nomina governativa, entrambi illegittimi e il primo anche pubblicamente scomunicato.
Per maggiori dettagli su questi passi:
Il cardinale Zen rivela ora che papa Francesco gli ha risposto d'aver dato ordine di "non creare un altro caso Mindszenty", alludendo all'eroico cardinale primate d'Ungheria che nel 1971 fu obbligato dalle autorità vaticane a lasciare il suo paese, nel 1973 fu rimosso dalla sua carica e nel 1976 fu sostituito da un nuovo primate gradito al regime comunista.
Ma lasciamo la parola al cardinale.
*
Cari amici dei media,
da quando Asia News ha rivelato alcuni fatti recenti della Chiesa in Cina, di vescovi legittimi a cui la “Santa Sede” avrebbe chiesto di dare le dimissioni per far posto a “vescovi” illegittimi e perfino scomunicati in modo esplicito, diverse versioni e interpretazione dei fatti stanno creando confusione fra la gente. Molti, sapendo del mio recente viaggio a Roma, mi hanno chiesto alcuni chiarimenti.
Nell’ottobre scorso, quando mons. Zhuang ha ricevuto la sua prima comunicazione dalla Santa Sede e ha chiesto il mio aiuto, ho inviato qualcuno a portare la sua lettera al Prefetto della Congregazione per l’evangelizzazione dei popoli, con inclusa una copia per il Santo Padre. Non so se quella copia inclusa ha mai raggiunto la scrivania del Santo Padre. Per fortuna, mons. Savio Hon Taifai era ancora a Roma e ha potuto incontrare il papa per una visita di congedo. In quell’occasione, egli ha portato a conoscenza del Santo Padre i due casi di Shantou e Mindong. Il Santo Padre era sorpreso e promise che avrebbe studiato il caso.
A causa delle parole che il Santo Padre aveva dette a mons. Savio Hon, i nuovi fatti in dicembre sono stati ancora più scioccanti e sorprendenti per me. Quando l’anziano e afflitto mons. Zhuang mi ha chiesto di portare al Santo Padre la sua risposta al messaggio da lui ricevuto dalla “delegazione vaticana” a Pechino, non ho potuto dirgli di no. Ma cosa potevo fare per essere sicuro che la sua lettera raggiungesse il Santo Padre, quando non sono sicuro nemmeno se le mie lettere giungono a lui?
Per assicurarmi che la nostra voce arrivi al Santo Padre, ho preso subito la decisione di andare a Roma. Ho lasciato Hong Kong la notte del 9 gennaio, arrivando a Roma al mattino presto del 10 gennaio, giusto in tempo – beh, veramente, leggermente in ritardo – per partecipare all’udienza generale del mercoledì. Alla fine dell’udienza, noi cardinali e i vescovi sono ammessi per il “baciamano” e io ho avuto la possibilità di mettere nelle mani del Santo Padre la busta, dicendo che ero venuto a Roma al solo scopo di portare a lui la lettera di mons. Zhuang, sperando che egli trovasse il tempo di leggerla (nella busta vi era la lettera originale del vescovo in cinese, una mia traduzione in italiano e una mia lettera).
Per ovvie ragioni, ho sperato che la mia presenza all’udienza non fosse notata, ma il mio arrivo in ritardo nell’aula era stato notato. Ad ogni modo, ora tutti possono vedere l’intera sequenza dalla tv vaticana (a proposito, l’udienza si è tenuta nell’aula Paolo VI, non in piazza san Pietro e io ero in ritardo per entrare nell’udienza, ma non ho “aspettato in coda, al freddo”, come qualche articolo ha riportato in modo erroneo).
A Roma, ho incontrato p. Bernardo Cervellera di Asia News. Ci siamo scambiati informazioni, ma io ho detto a lui di non scrivere nulla. Ed egli è stato d’accordo. Ora che qualcun altro ha diffuso la notizia, io posso dire di essere d’accordo e la confermo. Sì, per quanto mi è dato sapere, le cose sono avvenute proprio come sono raccontate in Asia News (l’articolo di Asia News “crede” che il vescovo che guidava la delegazione vaticana in Cina fosse mons. [Claudio Maria] Celli. Io non so con quale ruolo ufficiale egli fosse là, ma è quasi sicuro che fosse proprio lui a Pechino).
In questo momento cruciale e a causa della confusione che regna nei media, conoscendo in modo diretto la situazione di Shantou e in modo indiretto quella di Mindong, mi sento in dovere di condividere la mia conoscenza dei fatti, affinché le persone sinceramente preoccupate per il bene della Chiesa possano conoscere la verità a cui hanno diritto. Sono perfettamente cosciente che, facendo ciò, sto parlando di cose che tecnicamente sono qualificate come “confidenziali”. Ma la mia coscienza mi dice che in questo caso, il “diritto alla verità” dovrebbe superare ogni “dovere di confidenzialità”.
Con questa convinzione, mi appresto a condividere con voi quanto segue.
Nel pomeriggio di quel giorno, il 10 gennaio, ho ricevuto una chiamata da Santa Marta, in cui mi si diceva che il Santo Padre mi avrebbe ricevuto in udienza privata la sera di venerdì 12 gennaio (sebbene il bollettino vaticano ne dà notizia il 14 gennaio). Quello era il mio ultimo giorno dei miei 85 anni di vita, un grande dono del Cielo! (Notate anche che era la vigilia della partenza del Santo Padre per il Cile e il Perù, e quindi il Santo Padre doveva essere molto impegnato).
Quella sera, la conversazione è durata circa mezz’ora. Ero piuttosto disordinato nel mio parlare, ma penso di aver raggiunto lo scopo di rendere note al Santo Padre le preoccupazioni dei suoi figli fedeli in Cina.
La domanda più importante che ho posto al Santo Padre (che era citata anche nella lettera) era se egli aveva avuto tempo di “studiare il caso” (come aveva promesso a mons. Savio Hon). Nonostante il pericolo di essere accusato di rompere la confidenzialità, ho deciso di dirvi quanto sua Santità ha detto: “Sì, ho detto loro [i suoi collaboratori nella Santa Sede] di non creare un altro caso Mindszenty”! Ero là alla presenza del Santo Padre, in rappresentanza dei miei fratelli cinesi nella sofferenza. Le sue parole dovrebbero essere ben comprese come una consolazione e un incoraggiamento più per loro che per me.
Questo riferimento storico al card. Josef Mindszenty, uno degli eroi della nostra fede, è molto significativo e appropriato da parte del Santo Padre. (Il card. Josef Mindszenty era arcivescovo di Budapest, cardinale primate di Ungheria sotto la persecuzione comunista. Egli ha molto sofferto per diversi anni in prigione. Durante la breve vita della rivoluzione del 1956 egli è stato liberato dagli insorti e, prima che l’Armata rossa distruggesse la rivoluzione, si rifugiò nell’ambasciata americana. Sotto la pressione del governo, la Santa Sede gli ordinò di lasciare il Paese e nominò un suo successore a piacere del governo comunista).
Con questa rivelazione, spero di aver soddisfatto il legittimo “diritto a sapere” dei media e dei miei fratelli in Cina. La cosa importante per noi è di pregare per il Santo Padre, cantando il molto opportuno inno tradizionale “Oremus”: "Oremus pro Pontifice nostro Francisco, Dominus conservet eum et vivificet eum et beatum faciat eum in terra et non tradat eum in animam inimicorum eius".
Forse è necessaria qualche ulteriore spiegazione.
1. Prego notare che il problema non sono le dimissioni dei vescovi legittimi, ma la richiesta di fare spazio a quelli illegittimi e scomunicati. Sebbene la legge sul ritiro per raggiunti limiti di età non sia mai stata applicata in Cina, molti anziani vescovi sotterranei hanno chiesto con insistenza un successore, ma non hanno mai ricevuto alcuna risposta dalla Santa Sede. Altri, che hanno già un successore nominato, e forse perfino la bolla firmata dal Santo Padre, hanno ricevuto l’ordine di non procedere con l’ordinazione per paura di offendere il governo.
2. Ho parlato soprattutto dei due casi di Shantou e Mindong. Non ho altre informazioni, oltre alla copia di una lettera scritta da una donna cattolica eccezionale, un’accademica in pensione, molto addentro negli affari della Chiesa in Cina, in cui ella mette in guardia mons. Celli dallo spingere per legittimare il “vescovo” Lei Shiying in Sichuan.
3. Riconosco di essere un pessimista riguardo alla presente situazione della Chiesa in Cina, ma il mio pessimismo è basato sulla mia lunga e diretta esperienza della Chiesa in Cina. Dal 1989 al 1996 ho speso sempre sei mesi all’anno insegnando in vari seminari della comunità cattolica ufficiale. E ho diretta esperienza della schiavitù e dell’umiliazione a cui i nostri fratelli vescovi sono soggetti. In base alle recenti informazioni, non vi è ragione per cambiare questa visione pessimista. Il governo comunista sta producendo nuovi e più aspri regolamenti limitando la libertà religiosa. Essi ora stanno mettendo in atto i regolamenti che fino ad ora erano solo sulla carta (dal 1 febbraio 2018, il raduno alla messa di una comunità sotterranea non sarà più tollerato).
4. Alcuni dicono che tutti gli sforzi per giungere ad un accordo [fra Cina e Santa Sede] sono per evitare uno scisma ecclesiale. Ciò è ridicolo! Lo scisma è già lì, nella Chiesa indipendente. I papi hanno evitato di usare la parola “scisma” perché sapevano che molti nella comunità ufficiale cattolica erano lì non di spontanea volontà, ma sotto pesanti pressioni. La proposta “unificazione” forzerà chiunque [ad entrare] in quella comunità. Il Vaticano darebbe quindi la benedizione a una nuova e più forte Chiesa scismatica, lavando la cattiva coscienza di coloro che già ora sono volonterosi rinnegati e degli altri che sono pronti ad aggiungersi a loro.
5. Non è un bene cercare di trovare un terreno comune per colmare la pluridecennale divisione fra il Vaticano e la Cina? Ma ci può essere qualcosa di “comune” con un regime totalitario? O ti arrendi o accetti la persecuzione, ma rimanendo fedele a te stesso. Si può immaginare un accordo fra san Giuseppe e il re Erode?
6. Così forse io penso che il Vaticano stia svendendo la Chiesa cattolica in Cina? Sì, decisamente, se essi vanno nella direzione che è ovvia in tutto quello che hanno fatto in questi mesi e anni recenti.
7. Qualche esperto della Chiesa cattolica in Cina dice che non è logico supporre una più aspra politica religiosa da parte di Xi Jinping. In ogni caso, qui non si sta parlando di logica, ma dell’ovvia e cruda realtà.
8. Sono forse io il maggior ostacolo al processo di accordo fra il Vaticano e la Cina? Se questo accordo è cattivo, sono più che felice di essere un ostacolo.
Hong Kong, 29 gennaio 2018
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POST SCRIPTUM – il 30 gennaio il direttore della sala stampa vaticana Greg Burke ha rilasciato la seguente dichiarazione:
"In riferimento alle notizie diffuse circa una presunta difformità di pensiero e di azione tra il Santo Padre e i suoi Collaboratori nella Curia Romana in merito alle questioni cinesi, sono in grado di dichiarare quanto segue:
'Il Papa è in costante contatto con i Suoi collaboratori, in particolare della Segreteria di Stato, sulle questioni cinesi, e viene da loro informato in materia fedele e particolareggiata sulla situazione della Chiesa Cattolica in Cina e sui passi del dialogo in corso tra la Santa Sede e la Repubblica Popolare Cinese, che Egli accompagna con speciale sollecitudine. Desta sorpresa e rammarico, pertanto, che si affermi il contrario da parte di persone di Chiesa e si alimentino così confusione e polemiche'".
E questa del giorno dopo è la replica del cardinale Zen alla dichiarazione vaticana:
«Come promesso stamane ad alcuni amici giornalisti circa la "dichiarazione" della Segreteria di Stato vaticana fatta ieri, rispondo unitariamente alle loro domande.
Questa "dichiarazione" ha detto tre cose:
1. Esplicitamente: il papa sapeva che cosa essi stavano facendo.
2. Implicitamente: il papa era d’accordo su ciò che essi facevano.
3. Le mie parole hanno provocato confusioni e polemiche.
Rispondo:
1.1. Di fatto nel mio intervento non ho detto che il papa non sapesse, ma il papa ha realmente detto all’arcivescovo Hon: "Perché quel gruppo (di lavoro vaticano) non mi ha consultato?"
1.2. Sulla base delle parole dette a me, il papa ha chiaramente espresso che aveva delle idee diverse da loro, ma siccome era impossibile per la "dichiarazione" far pensare che il papa avesse detto delle bugie, la stessa "dichiarazione" ha affermato che ero stato io a dire delle bugie.
In realtà nel mio intervento ho detto che essi facevano delle cose sbagliate, ma non ho detto che fossero bugiardi. Siano ora i lettori a giudicare chi è il bugiardo tra me e loro.
2. Se essi vogliono mettere in evidenza che il papa era d’accordo con ciò che facevano, ne deriva che anche il papa deve esser ritenuto responsabile per le cose sbagliate fatte da loro, ma questo è proprio ciò che ho voluto impedire con il mio intervento.
3. Certo ero consapevole che le mie parole potessero suscitare discussioni, ma non confusioni, con la speranza che le discussioni potessero produrre questo risultato: che la gente capisca che essi stanno facendo cose sbagliate e che essi capiscano che devono fermare in tempo il cavallo sul bordo del precipizio».
Nel frattempo, è intervenuto anche il cardinale segretario di Stato, Pietro Parolin, con questa intervista: