A
queda do premiê conservador Mariano Rajoy era uma questão de tempo. No poder desde 2011, o moribundo e impopular governo do Partido Popular se arrastava porque os principais partidos da oposição, o Socialista e o Podemos, pareciam incapazes de propor uma alternativa.
O programa de austeridade conduzido por Rajoy transformou a sociedade espanhola. A retomada da economia é inegável: o número de desempregados vem caindo drasticamente, e a taxa de crescimento ultrapassa os 3%.
Entretanto, a piora das condições de trabalho e a deterioração das proteções sociais desorganizaram a classe média.
Nos últimos quatro anos, os partidos tradicionais perderam terreno para novas formações de centro (o Cidadãos de
Albert Rivera) e de esquerda (o Podemos de Pablo Iglesias). Nesse contexto,
Pedro Sánchez assume um país em plena transição politica.
Comandados por António Costa, ex-ministro próximo aos comunistas, os socialistas lusos obtiveram a maioria no Congresso depois de costurar um programa de governo com dois partidos de extrema-esquerda sem a menor expectativa de poder.
Sánchez é um político inexperiente, contestado dentro do próprio partido e alçado ao poder quase que por acidente. Com uma maioria parlamentar instável, ficará à mercê do Podemos, que tem como objetivo declarado acabar com a hegemonia socialista. Iglesias deixou claro que só apoiou a moção por "higiene democrática".
As contradições da esquerda no governo devem beneficiar o Cidadãos. Na frente das sondagens, a legenda centrista deve recuperar grande parte dos políticos eleitos e dos militantes do Partido Popular. Nas próximas eleições, seu líder Rivera pretende repetir
o feito de Emmanuel Macron na França —implodir o statu quo partidário.
Se isso acontecer, o governo de Sánchez entrará na história como o último liderado por um partido da social-democracia que levou o país do obscurantismo franquista (1936-75) às luzes da Europa.
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